sábado, 16 de julho de 2011

O saudosismo tem uma relação com a bola

O Santos contratou Ibson, este em forma com certeza mereceria ao menos um teste na amarelinha, mas acredito que hoje jogadores que levantam a cabeça e ao menos tentam jogar a moda antiga acabam sendo subestimados, existe uma tendência mundial hoje em privilegiar no futebol o atletismo e a força,basta notar que hoje se mede a velocidade média do jogador, a sua potência no chute, quantos quilômetros corre e etc... Em meio a tudo isso, chego a pensar que talvez em um futuro próximo infelizmente o futebol poderá se tornar previsível como outros esportes onde as surpresas são raras exceções, e assim os atletas melhor preparados vencerão as partidas que serão horríveis e privilegiarão a tática e o pragmatismo. No futebol sempre existiu jogadores velozes que exploraram suas características em beneficio da equipe, mas não era por isso que eles iriam partir em todo lance desesperado feito máquina, não era porque Eder Aleixo do atlético e seleção brasileira tinha um chute sensacional que ele iria se prestar a somente usar essa característica a todo o momento (por sinal Eder tem um espetáculo de gol contra escócia na copa de 1982 onde apenas toca com sutileza por cobertura). Cabe perguntar qual o motivo de toda essa nostalgia, a questão é que hoje é sábado e é dia de pelada, toda boa pelada termina com cerveja e conversa onde a memória nos resgata os lances e acaba os aperfeiçoando, um drible lembrado e contado é sempre mais bonito do que realmente foi, não há como não superestimar, é semelhante à jogada narrada via rádio.
Em homenagem ao sábado, ou a pelada como queira , presto uns minutos de reverência aos craques que vi desfilar pelos gramados e pelos barros da vida, lembro-me do Chico Buarque que certa vez escreveu sobre Tostão: “Ao contrário de nós mortais, que éramos todos mais bonitos no passado, os craques do passado são ainda melhores hoje. Penduraram as chuteiras, mas na permanente edição da nossa memória vão produzindo novos lances memoráveis”.
Sem querer ser presunçoso também vi vários craques, principalmente pela televisão e tive também o prazer de dividir espaço com vários craques anônimos que passearam pelos campos nos quais freqüentei.

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